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Filmes e Desenhos que fazem sentir e pensar

Alguns filmes, quando assistidos com atenção, apresentam-nos particularidades de nós mesmos, de forma que vendo-nos neste espelho animado descobrimos e transformamos elementos de nossa interioridade.

Não pretende-se, nesta página, realizar uma crítica cinematográfica, mas uma análise pelas vias da psicologia e da espiritualidade. Para melhor compreensão da análise, é desejável que o filme já tenha sido assistido.

Duas Vidas
A Bela e a Fera
Tratamento de Choque
Carruagens de Fogo

bulletDuas Vidas
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Este filme da Disney, que traz Bruce Willis como protagonista, conduz o ator principal - um homem rígido e infeliz, a encontrar uma criança que descobre ser ele mesmo com 8 anos de idade. O choque daí advindo, a revisão de fatos dolorosos de sua infância à muito esquecidos (reprimidos ou negados?) produz-lhe um efeito transformador, terapêutico. Como em uma terapêutica regressiva, ao rever os fatos do passado, sensibilizando-se diante de sua fragilidade de criança, mas que ao mesmo tempo trazia consigo valores genuínos e sonhos abandonados, percebe o que perdeu dentro de si mesmo. Se para o mundo parecia forte, rico, bem sucedido, auto-confiante, percebeu que esta suposta força nasceu de rígidos mecanismos de defesa - "não vou mais sofrer", sem curar as feridas internas. Sugiro que ao assistir o filme, perceba-se as relações de causa e efeito, os elementos que na sua infância o fizeram adquirir a conduta rígida, as qualidades presentes na criança e reprimidas no adulto, e por fim, o que é uma falsa solução e o que é uma verdadeira atitude de confrontar-se e curar-se. Faça sua própria regressão, reveja quais foram seus próprios sonhos frustrados, os momentos delicados que à muito esqueceu, perceba dentro de si a vida pulsante que se esterilizou por uma resposta enganosa que deu a si mesmo. Mais informações sobre o filme...

bulletA Bela e a Fera
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Esta bela animação da Disney em verdade apresenta um conto de fadas de origem pré-cristã. Nossa reflexão aqui se concentra na formosura feminina da Bela, e no masculino primitivo da Fera. A psicologia de Jung identifica na mulher qualidade masculinas a que chamamos "Animus" e no homem qualidades femininas a que chamamos de "Anima". No caso, a Fera representa as qualidades masculinas da Bela, que sendo primitivas, quase animais, precisam ser humanizadas pelas suas qualidades femininas, como realmente acontece. A Fera retrata, pois, os desafios da mulher. No filme, percebemos que a Fera, ao lidar com a agressividade (o posicionamento firme)  torna-se rude, impulsiva, generalizando situações. Por exemplo, veja-se que não enxerga que o pai de Bela, ao invadir a mansão, não era um mal-feitor - generaliza, pois, muitas situações, e por isso julga precipitadamente. Há, de fato, mulheres regidas pelo animus (no caso, pela Fera), o que as torna verdadeiramente rudes, desataviadas da formosura do feminino. Desafios femininos!

bulletTratamento de Choque
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Dave Buznik (Adam Sandler) é um jovem empresário que mesmo sob as mais severas humilhações, como as impostas por seu chefe, não consegue expressar a sua raiva e nem mesmo definir saudáveis limites com firmeza. Sua voz é tímida, quase efeminada, e seu olhar volta-se para o chão involuntariamente. Sua noiva (Marisa Tomei) é paciente e amorosa, embora percebendo as dificuldades de Dave. Percebe-se que a auto-estima de Dave é sofrível: ele se diminui frente aos outros, visto que parece estar constantemente comparando-se aos outros homens e concluindo sempre que é de fato inferior.  O episódio no banheiro, quando compara sua genitália com a de seu rival amoroso, exemplifica bem a questão.
O episódio vergonhoso ocorrido em sua infância, ao ser despido por um garoto irreverente no momento em que ia dar o seu primeiro beijo, parece justificar as dificuldades de Dave. Ao sofrer vergonha pública, instaurou um núcleo neurótico que possivelmente tenha encontrado reforço em outras ocasiões, como na educação familiar.
O medo de ser desaprovado ante a opinião pública, desta forma, passou a exigir dele uma crescente atenção à satisfação das expectativas alheias, em detrimento de suas necessidades individuais. Como conseqüência, Dave tinha um ego frágil, incapaz de impor-se quando necessário. Dar limites, dizer "não", seria dar atenção e cuidado à própria alma. De outra forma, além de se tornar profundamente infeliz, alguém assim poderia desenvolver doenças psicossomáticas (raiva guardada) ou ser vítima de episódios de descontrole emocional.
Mas em nosso filme entra em cena o doutor Buddy Rydell (Jack Nicholson), um terapeuta  de controle da raiva, para auxiliar Dave. Que raiva? Ora, o Dr. Buddy pressupõe, como é razoável, que toda a raiva de Dave é reprimida ou negada, e trata de provocá-lo das formas mais sórdidas possíveis, gerando situações muito hilárias. Mas um alerta: se você assistiu o filme e não irritou-se nem um pouquinho com as atitudes do Dr. Buddy, cuidado, está a reprimir sua raiva!  Goosfraba!
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Carruagens de Fogo (Chariots of Fire)
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Os melhores atletas da Inglaterra iniciam sua busca da glória nos Jogos Olímpicos de 1924. O sucesso honra sua pátria. Para dois corredores, a honra em questão é pessoal... E o desafio vem de dentro de cada um deles. É uma história real, inspiradora.
A opinião pública e a crítica sempre viram neste filme o eterno desafio da superação dos limites, drama sempre presente no palco desportivo. O filme não deixa a desejar, quando além de explorar tal aspecto, apresenta o espírito de equipe, a lealdade e o exuberante vigor juvenil.
Mas uma análise cuidadosa da personalidade dos dois personagens principais oferta-nos ainda mais.
Harold Abrahams é um excelente corredor, de ascendência judaica e cidadania inglesa. É um homem de muitos dotes, veja-se que é também o tenor de um grupo musical, e acadêmico de direito na universidade de Cambridge.
Eric é o melhor corredor escocês e um dedicado pastor protestante. Vive o dilema entre correr e voltar para a missão religiosa na China.
Harold, sendo judeu, sofre pela discriminação racial, e vive o desafio da auto-afirmação: ele deseja ardentemente ser aceito como um autêntico inglês. Há um sofrimento em Harold, que vive a necessidade de afirmação do ego (eu menor), etapa necessária para vôos mais altos da alma. Ele diria a certa altura, daqueles que o discriminavam:
"Vou desafiá-los. Um a um. E vou vencê-los na corrida."
Eric, todavia, vivia o desafio da afirmação do self (grande eu, centelha divina, natureza central de nossa psique).
Sem o desejo vaidoso da fama, buscava apenas glorificar a Deus com os seus pés alados. Sem dúvida, como afirmava Jung, o Deus transcendente louvado por Eric é também o Deus interno de seu ser. Percebe-se que Eric encontrou o sentido de sua vida, e corria com alegria.
Contrariamente, Harold corria com sofrimento, e quando sofreu a primeira derrota para Eric, sentiu-se aniquilado: não havia nele ainda o sentimento de valor interior, sustentava-se na admiração alheia.
Observe-se comparativamente a desenvoltura psicológica de um e de outro. Harold vive um estágio de desenvolvimento psíquico que antecede o de Eric: é necessário fortalecer o ego para que depois se possa desapegar de suas buscas e viver o self, descobrindo o verdadeiro sentido da vida.
Não deixe de curtir ainda a bela trilha sonora de Vangelis; note que a música do coro religioso ao fim do filme é a tradicional "Carruagens de Fogo", que deu título ao filme.
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Este site foi atualizado em 23/10/11